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O caos acabou

Há dez anos, os grandes aeroportos, todos estatais, eram um inferno. A gestão privada ampliou a capacidade e trouxe conforto.

 

Um dos assuntos prediletos dos brasileiros há dez anos era reclamar do perrengue que era pegar um voo nos principais aeroportos do país, então controlados pela estatal Infraero. De fato, viajar de avião naquela época era enfrentar um suplício. A começar pelos atrasos dos voos: em 2007, um terço das partidas de aviões se deu mais de 30 minutos após o horário, de acordo com a Anac, agência reguladora da aviação civil. Nos Estados Unidos, onde estão 16 dos 50 aeroportos mais movimentados do mundo, a média de voos atrasados é de 6%. Aqui a demora causava estresse em cadeia: eram comuns brigas de passageiros com funcionários das companhias aéreas em dias de maior movimento – e de caos. No ponto alto da desordem, às vésperas do Réveillon de 2007, passageiros chegaram a invadir a pista do Aeroporto de Guarulhos em protesto por causa de um atraso no voo. Na base do problema estava uma infraestrutura aeroportuária acanhada demais para atender à avalanche de novos passageiros – reflexo da ascensão de famílias humildes ao mercado consumidor e de companhias aéreas com tarifas convidativas. Em 2007, 60 milhões de pessoas passaram pelos aeroportos do país, 10% mais do que no ano anterior, segundo a associação de empresas aéreas.

De lá para cá, o fluxo de passageiros nos aeroportos brasileiros cresceu 43% – foram 88 milhões de viajantes no ano passado. E o caos aéreo? Ficou para trás: em 2016, somente 6,4% dos voos atrasaram mais de meia hora, patamar similar ao americano, graças aos investimentos privados. Em cinco anos, 12 bilhões de reais foram aplicados em infraestrutura, nas contas da associação das concessionárias de aeroportos. Hoje, em parte pela crise, em parte pelas melhorias, sobra espaço nas salas de embarque. O desempenho de Guarulhos é exemplar. Em 2013, quando o controle passou para a mão privada, o aeroporto comportava 25 milhões de passageiros ao ano, mas, por ele, passavam 32 milhões. Em quatro anos, um novo terminal e as reformas nas áreas antigas ampliaram a capacidade para 48 milhões de passageiros – um terço a mais do que a demanda atendida no ano passado. Atualmente, quase metade dos viajantes do país passa pelos seis aeroportos privados, segundo a consultoria GO Associados. Considerando os quatro aeroportos leiloados em 16 de março (de Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador), a fatia deverá aumentar para 59%.

 

Fonte: Revista Exame