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Conforto sem escalas

Bar, bufê de frios livre, cabines privativas de televisão com acesso a canais fechados, jornais e revistas do mundo inteiro à disposição, business center, lounge para relaxamento, espaço para crianças, duchas com toalhas mais produtos L’Occitane, e uma sala de reunião equipada com lousa digital, sistema de videoconferência, projetor e, sob reserva, serviço de catering. O que pode lembrar a oferta de um resort de luxo diz respeito à lista de benesses da recém-inaugurada sala vip do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek (veja detalhes no quadro abaixo). Esse oásis de 1 500 metros quadrados da aviação brasileira, o maior espaço do gênero na América Latina, está localizado logo após a passagem pelo raio X, a sete minutos do portão de embarque mais distante, e surge como um dos poucos do mundo voltados para voos domésticos.

VEJA BRASÍLIA testou as acomodações e os serviços da área especial em horário de rush, no último dia 25, e aprovou o resultado. Para quem não é cliente do cartão de crédito Diners nem membro do programa Priority Pass, a parte menos agradável da experiência fica restrita mesmo ao pagamento da taxa diária de 100 reais por pessoa. O atendimento ocorre entre 6 horas e meia-noite. Na média dos valores praticados por outras salas ao redor do planeta, o preço do espaço de Brasília está bem abaixo do que é cobrado pelo uso do novo ambiente exclusivo do Aeroporto de Guarulhos (SP), fixado em 800 reais por pessoa. “Oferecemos uma dose do uísque Blue Label de graça, comida à vontade e temos serviços de hotelaria. Trata-se de uma relação custo-benefício muito boa”, diz o diretor comercial da Inframérica, Daniel Ketchibachian. Segundo ele, a ideia não é lucrar com a receita da sala vip em si, mas atrair um contingente ainda maior de pessoas para conexões na capital — hoje, passageiros que utilizam o JK como escala respondem por 43% do movimento total do aero­porto. “Esse tipo de serviço pode mudar a decisão de um executivo”, afirma Ketchi­ba­chian. Nesse momento, ele comemora os números iniciais da empreitada. A média diária de 150 visitantes supera os prognósticos da sua empresa.

Uma pesquisa realizada pela mesma Inframérica no ano passado, com 7 000 usuários daqui, deu boas pistas para a formatação da sala vip. Ela revelou que o aeroporto de Brasília concentra um perfil majoritário de clientes das classes A e B. Sessenta e sete por cento deles usam smartphones ou tablets. Em Natal, por exemplo, outro lugar em que foi feita a avaliação, esse número não ultrapassa os 30%. Entre as peculiaridades locais, está a demanda por aparelhos de televisão e música ambiente. Por isso, o investimento em cabines de TV e numa espécie de minicinema com sofá. Só não foram colocadas camas para que os passageiros não percam seus voos. Mesmo assim, tal desfecho não é raro por aqui — principalmente entre os que se aventuram no video­ga­me do espaço infantil.

As novidades, no entanto, não devem parar na atual configuração. Durante as próximas semanas serão inaugurados o salão de beleza, o serviço de valet e o check-in exclusivos. Também entrará em funcionamento o carrinho de golfe que vai transportar os vips dentro do aeroporto. Com o mapeamento dos horários e do fluxo de passageiros, a promessa é incrementar o bufê com receitas quentes. Na lista de pedidos da clientela estreante já aparecem sistema para chamar o passageiro na hora do voo, funcionamento 24 horas e parcerias extras com companhias aéreas e administradoras de cartões. O empresário cuiabano Eduardo Garieri, que soma cinco passagens pela sala especial, reclama do acúmulo de gastos sem subsídio. “Esse novo hábito começa a pesar no bolso, mas, ainda assim, vale o investimento”, diz. Promotores do Ministério Público de Porto Velho, Bernardo Mataschuch e Fabrício Gonçalves reforçam a comemoração. Trocaram o late check-out no hotel pelo espaço vip. Para o secretário de Turismo, Luís Otavio Neves, um aeroporto melhor põe a capital num patamar de maior competitividade. Ele acredita que todo esse conforto da sala vip não atrapalhará o fluxo em direção às atrações locais. “As pessoas com mais de quatro horas livres vão querer sair.” Quem não vive da aviação em Brasília torce para Neves estar certo.

Fonte: Veja Brasília