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CONAERO apresenta balanço dos últimos três anos de trabalho

O Ministro Moreira Franco participou nesta quarta-feira (19/11) do balanço da Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias – CONAERO. “Queremos colocar a infraestrutura aeroportuária brasileira no século 21, não só no ponto de vista temporal, mas do tecnológico, operacional, regulatório e dos serviços que estão sendo prestados aos passageiros”, afirmou. Moreira Franco acredita que o esforço feito pelos entes aeroportuários buscando a melhoria dos serviços prestados é percebida pela população brasileira. “As pesquisas que trimestralmente a SAC patrocina indica que os passageiros estão tendo uma visão muito detalhada de como funciona o aeroporto.”

O Ministro falou, também, sobre a importância da CONAERO. “O Estado precisa que tenha esse nível de articulação, fazer uma inversão da governança”, disse. Para o Ministro, o superintendente do aeroporto precisa ser o “síndico”, com poder para resolver no dia a dia todos os problemas que um aeroporto apresenta. “É uma etapa que vamos vencer juntos. Para completar o esforço da política precisamos enfrentar a questão regulatória. O nosso objetivo é facilitar a vida das pessoas que querem voar, e não dificultar. Temos que ter normas e regulamentos que ajudem e facilitem as pessoas, que estimule a aviação no Brasil”, completou o Ministro. Moreira Franco reconheceu o bom desempenho das autoridades aeroportuárias para o sucesso dos grandes eventos realizados no Brasil, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014 e finalizou afirmando que “é preciso ter efetivamente a aviação civil servindo o País e sobretudo servindo o passageiro, que cada vez mais será tratado como cliente”.

O Diretor da Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos – ANEAA, Douglas Rebouças, falou sobre os avanços da Operação Aeroportuária Brasileira na nova estrutura de governança do setor, destacando que em 2013, 75% dos passageiros brasileiros passaram pelos aeroportos concedidos. Rebouças apresentou números importantes sobre as concessões. Na primeira fase, somam R$ 24,5 bilhões em outorgas e quase R$ 20 bilhões em investimentos ao longo dos 30 anos das concessões de Guarulhos, Brasília e Viracopos. Na segunda fase, com a concessão dos aeroportos de Galeão e Confins, somam R$ 20,8 bilhões em outorgas e R$ 9,2 bilhões de investimentos ao longo dos anos de concessão. “As concessões vão representar R$ 45,3 bilhões de outorgas, revertidos ao Fundo Nacional de Aviação Civil, e R$ 28,5 bilhões em investimentos nos próximos 30 anos, além da transferência de conhecimentos operacionais e tecnológicos devido a participação dos operadores internacionais como acionistas das concessionárias”, esclareceu.

Item bastante comentado durante os dois dias da reunião, a Pesquisa de Satisfação do Passageiro, realizada trimestralmente pela SAC, foi analisada pelo Diretor da ANEAA. Para ele, a pesquisa é extremamente importante, mas a cultura do passageiro é avaliar o aeroporto como um todo, e não cada serviço prestado dentro do terminal de forma individualizada. “Para o passageiro, se existe filas na imigração, fiscalização rigorosa da aduana, mau funcionamento da escada rolante ou atraso na entrega de suas bagagens, é um problema do operador aeroportuário”, destacou o Diretor. Guilherme Ramalho, Secretário-Executivo da Secretaria de Aviação Civil (SAC/PR), afirmou que a pesquisa fomenta uma cultura de busca pela a melhoria. “(A pesquisa) Dá transparência à qualidade do serviço prestado”, afirmou.

Douglas Rebouças destacou que é preciso haver uma padronização de processos e procedimentos aeroportuários. “Não podemos ter regras entendidas de formas diferentes em cada aeroporto”. Rebouças falou também sobre o Manual de Autoridades Aeroportuárias, salientando que o documento é apenas uma orientação e que o setor pode desenvolver um manual que atue como regra a ser seguida, caso seja do interesse dos envolvidos.

A grande integração dos entes aeroportuários foi destacada por todos os palestrantes como a principal qualidade da CONAERO. Segundo o Secretário- Executivo da SAC, Guilherme Ramalho, essa integração proporciona uma eficiente troca de informações e conhecimentos, além da celeridade nos processos aeroportuários, item mencionado também pelo Assessor no Gabinete do Secretário da Receita Federal do Brasil, Roberto Medina. Douglas Rebouças, Diretor da ANEAA, destacou a possibilidade de conhecer as atividades dos outros órgãos como forma de visão colaborativa. A Superintendente Substitutiva de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Juliana Couto de Almeida, ressaltou a importância da integração da comunidade aeroportuária no caso Ebola, facilitando a difusão de informações e esclarecimentos dos procedimentos em caso de passageiros infectados.

Carlos Ebner, Diretor da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos) no Brasil, fez um panorama dos 100 anos de aviação. Ebner destacou que nestes 100 anos alcançamos 3,3 bilhões de passageiros e que para 2025 a prospecção indica que podemos chegar à marca de 7,3 bilhões de passageiros no mundo. Nesse contexto, Ebner declarou que a demanda dos aeroportos é maior que a sua capacidade e que a infraestrutura não acompanha as necessidades atuais, mas vê nas concessões uma forma de melhorar esse cenário. “Com as concessões aeroportuárias conseguimos um avanço nesse sentido”, afirmou. O Diretor da IATA acredita em um futuro tecnológico para a experiência do passageiro dentro do aeroporto, como o E-Gate, já implantando no aeroporto de Guarulhos. “O passageiro precisa de opções de autoatendimento para facilitar sua viagem. Do início ao fim a viagem precisa ser uma experiência segura e eficiente”, ressaltou. Guilherme Freire, Diretor de Relações Institucionais da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), também abordou o tema mencionando que a concessão dos grandes aeroportos é muito importante porque mudou a visão do passageiro em relação a infraestrutura aeroportuária. “A CONAERO tem que olhar para essa nova governança”, afirmou Freire.

A questão da carga aérea foi outro ponto comentado no segundo dia do balanço da CONAERO. Carlos Ebner, Diretor da IATA no Brasil, mencionou que a carga aérea vem perdendo lugar para a carga marítima. Robson Bertolossi, Presidente da JURCAIB (Junta de Representantes das Companhias Aéreas Internacionais do Brasil), informou que os aeroportos de Guarulhos e Viracopos são responsáveis por 78% das exportações e 68% das importações do País, e que de 2011 a 2013 houve uma queda de 29% no volume total de exportações e 8,6% no total de importações. Segundo Bertolossi, essa queda deve-se ao fato de que o modal marítimo se preocupou com novas tecnologias e a desburocratização dos processos antes do modal aéreo.

Sobre os desafios que a CONAERO enfrentará nos próximos anos, Marçal Goulart, Diretor de Aeroportos da Infraero, falou sobre a necessidade de todos os entes aeroportuários focarem no serviço de recursos humanos. “A infraestrutura aeroportuária requer do prestador de serviço público foco no atendimento ao cliente”, afirmou. Para Mirela Eidit, Fiscal Federal Agropecuária da VIGIAGRO (Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional), um dos desafios da Comissão será atualizar a legislação e desburocratizar a fiscalização. Otto Luiz Burlier, Coordenador Geral da Coordenação de Portos e Aeroportos da Secretaria do Programa de Aceleração do Crescimento, acredita que o maior desafio da CONAERO é manter a melhoria dos índices de satisfação dos usuários dos aeroportos. Guilherme Ramalho, Secretário-Executivo da SAC, compactua da opinião. “Temos que manter os padrões que tivemos até agora. Nós melhoramos, mas agora temos o desafio de continuar avançando”, declarou Ramalho.

 

Foto: Élio Sales