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A cara brasileira

A internacionalização reduziu a sensação de isolamento em que viviam muitas nações. E uma nova ordem econômica global promoveu em todo o planeta um compartilhamento mais igualitário dos frutos do crescimento econômico. Em todo o mundo a expectativa de vida aumentou e o seu padrão melhorou. Nesse aspecto, o Brasil tem o que comemorar nas últimas duas décadas. Avançou nos campos político, econômico e social. Não obstante, é necessário reconhecer que ainda há muito que fazer.

Aqui, como também em boa parte das nações, sobretudo nos países emergentes, assistiu-se ao surgimento de uma nova classe média, ávida de desejos, de necessidades e de expectativas em relação ao acesso aos bens e serviços. Projeta-se, no caso brasileiro, que até 2016 cerca de 75% da população integre essa nova classe emergente. As estatísticas oficiais indicam que mais de 54 milhões de brasileiros subiram para as classes A, B, C nos últimos quinze anos.

Mas o País ainda não estava apto a atender às demandas dessa mudança social abrupta. Evidenciaram-se os gargalos que ao longo de muitos anos prejudicaram o pleno desenvolvimento da economia nacional.

Em boa hora, portanto, os agentes públicos retomaram as parcerias com o setor privado para suprir a nação da infraestrutura necessária ao atendimento das demandas da sociedade.

Sem investimentos, ora materializados nos processos de concessões e privatizações, o país não conseguiria manter sua trajetória de crescimento, pois para prosperar nesse mundo interconectado existem pilares a serem incansavelmente perseguidos.

Um deles é a construção e a constante modernização da infraestrutura – estradas, portos, aeroportos, hidrelétricas e linhas de transmissão, linhas de fibra ótica, banda larga de internet, telefonia -, com qualidade e em volume suficiente para manter o país de portas abertas para o mundo.

Outro pilar, e não menos importante, é o estabelecimento e respeito aos marcos regulatórios tão necessários ao bom funcionamento da atividade econômica e ao estímulo à iniciativa privada para investir.

Felizmente, assistimos nesse momento ao processo de investimento de mais de R$ 25 bilhões em obras de ampliação e modernização dos sítios aeroportuários brasileiros concedidos ao setor privado.

Tais obras visam a atender um volume de passageiros que já supera os 135 milhões de pessoas por ano que utilizam a malha aeroportuária do País. Um movimento que representa um crescimento de 144% entre os anos de 2001 a 2010.

Se considerarmos apenas três grandes aeroportos, o de Guarulhos, Viracopos e Brasília, os investimentos montam a R$ 7 bilhões desde o início das concessões até a Copa deste ano. A Infraero, por sua vez, também está aplicando grande montante de recursos nos aeroportos que administra. Galeão e Confins, só ao final de 2013 concedidos para o setor privado, também anunciam importantes planos de modernização com expressivos investimentos, a partir do segundo semestre deste ano.

São investimentos essenciais para o conforto dos usuários. As obras em andamento incluem a ampliação e modernização dos terminais de passageiros, construção de hotéis, salas e lojas, implantação de novos sistemas eletrônicos de controle no check-in e despacho de bagagens, aumento dos pátios para estacionamento de aeronaves, novas pontes de embarque e desembarque, aumento das áreas de liberação de bagagens com novas esteiras, reforma de banheiros, mais vagas nos estacionamentos de carros e sinalização, dentre outras benfeitorias. Somente no aeroporto de Guarulhos, mais de 37 mil pessoas trabalham permanentemente. Nos três aeroportos são atendidos hoje 61,3 milhões de passageiros/ano. Com os investimentos agora realizados a capacidade de atendimento saltará para 91 milhões de passageiros/ano. São verdadeiras cidades que exigem um sofisticado e complexo sistema de gestão operacional, com a prestação de praticamente todos os tipos de serviços e ofertas de bens de consumo.

Com a modernização desses aeroportos ora em curso a principal porta de entrada do País vai mostrar, de fato, uma nova cara brasileira, contribuindo efetivamente para melhorar a imagem do Brasil em todos os recantos do mundo. Ademais, vale ressaltar, que a atualização tecnológica dos aeroportos requer investimentos permanentes e sistemáticos. Evidencia-se, neste momento, o esforço sem limites das concessionárias para viabilizar a entrega de parte das obras de modernização a tempo de atender à demanda gerada pela Copa do Mundo deste ano.

Dentro do possível, diante dos prazos limitados, este é o compromisso que deverá ser cumprido pelas empresas que administram esses aeroportos, dotando-os dos equipamentos tecnologicamente mais avançados existentes no mundo, não só para assegurar o êxito do campeonato mundial de futebol de 2014, mas principalmente para bem servir a todos os brasileiros.

(*) Jorge Jardim é Presidente da Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos – ANEAA